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sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Disciplina sobre educação étnico-racial ainda não está nos currículos
Lei completa 10 anos em janeiro, mas professores
ainda não são formados para trabalhar com tema que deveria fazer parte
da rotina escolar desde 2003
Priscilla Borges- iG Brasília |
Para cumprir a lei 10.639, de janeiro de 2003, que torna
obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas
brasileiras, os professores reclamam que falta formação. E, sem
conhecimento, não se sentem preparados para discutir o tema com os
alunos, seja do ensino fundamental ou do ensino médio, onde a lei
determina que o assunto seja abordado. Alan Sampaio / iG Brasília
No Centro de Ensino Médio 1 do Gama, professores de
História produzem materiais e seminários para disseminar conhecimento
entre os colegas
De acordo com as diretrizes curriculares para a educação
étnico-racial, elaboradas pelo Conselho Nacional de Educação após a
aprovação da lei, as universidades já deveriam incluir em diferentes
disciplinas, para todos os cursos de graduação, conteúdos ligados à
educação das relações étnico-raciais. No caso dos cursos que formam
professores – pedagogia e licenciaturas – especialmente. Parados: Só 11% da verba de projetos educacionais para igualdade racial foi usada
A realidade, porém, é bastante diversa nas universidades.
Elas não cumprem ainda, integralmente, as diretrizes definidas pelo
CNE. O técnico em gestão educacional Antonio Gomes da Costa Neto fez um
levantamento em todas as universidades federais para verificar se havia
professores contratados para trabalhar o tema nos cursos de graduação e
se a disciplina era oferecida.
A conclusão de Antonio é que a lei só é cumprida
parcialmente. “Quando existe a disciplina, na maioria das instituições,
ela tem caráter facultativo. Quando é obrigatória, é só para os cursos
de pedagogia”, afirma. Com os resultados do levantamento, ele e o
Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) protocolaram
representação junto ao Ministério da Educação e o Ministério Público
Federal para pedir “providências”. Para negros: STF julga constitucionais as cotas raciais em universidades
Além de pedir a obrigatoriedade da disciplina nos cursos
de graduação – sob pena de suspensão de abertura de novos cursos nas
universidades que descumprirem a determinação da lei –, a representação
protocolada por Gomes e seu colegas autores do documento exige a
inclusão do tema como critério para a avaliação dos cursos feita pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(Inep) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes). Confira a íntegra da representação feita pelo Iara ao MEC Autonomia
O Ministério da Educação acredita que as universidades
têm papel fundamental para a aplicação da lei. Em nota enviada ao
iG
, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e
Inclusão (Secadi) do MEC disse que as universidades precisam “cumprir
seu papel e efetivar as ações indicadas no Plano Nacional de
Implementação Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das
Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura
Afro-brasileira e Africana”. Sete anos de cotas: UnB já formou mais de 1 mil universitários pelas cotas
Antonio Gomes acredita que as instituições usam a
autonomia administrativa para não cumprir a lei. “O MEC pode e deve
interferir”, diz. “As universidades publicam estudos, criticando os
sistemas de ensino por não cumprirem a lei, mas elas também não o fazem.
A omissão tem sido pior”, critica.
De acordo com o levantamento de Gomes, a Universidade
Federal de Ouro Preto é a instituição que parece melhor abordar o tema
em seus cursos de graduação. Várias disciplinas dos departamentos de
História, Educação e Letras já trabalham o tema. As disciplinas de que
tratam o assunto são obrigatórias para os cursos de Ciências Biológicas,
Filosofia e História. Nos demais cursos de licenciatura, são optativas.
Já a disciplina mais específica “Educação das Relações Étnico-Raciais”
faz parte de uma matriz comum dos cursos que formam professores.
Algumas universidades, como as federais do Acre e do
Amazonas, por exemplo, não oferecem a disciplina a nenhum curso, segundo
Gomes.
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